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FEMINICÍDIO

Defesa de Manvailer, acusado de matar Tatiane Spitzner, quer governador para depor

Solicitação é inédita

segunda-feira, 14 de setembro de 2020 - 08:51:00

A defesa do professor de biologia Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a mulher, a advogada Tatiane Spitzner, em 22 de julho de 2018, afirmou que pretende convocar o governador do Paraná, Carlos Roberto Massa Ratinho Junior (PSD), para depor. 

O advogado Cláudio Dalledone Jr, argumenta que a lei 19.873/2019, que instituiu 22 de julho como o Dia Estadual do Combate ao Feminicídio, pode sugestionar a opinião pública. De autoria da deputada Cristina Silvestre (Cidadania), a lei foi sancionada pelo governador Ratinho Jr. no ano passado.

"Se a lei é de combate ao feminicídio, em memória de Tatiane, no dia da morte dela, o que se deduz? Que Luis Felipe Manvailer cometeu feminicídio. É um prejulgamento. Como representante do povo, do povo que vai julgar o professor, o governador está influenciando os jurados", acredita Dalledone, que cita o 'ineditismo' da convocação de um governadr na Justiça, nessas circunstâncias.

Casao consiga a presença de Ratinho Jr. no tribunal, Dalledone diz que 'o governador vai ter de dizer onde estava na cena; qual sua participação no inquérito, e o quanto é investigador para apontar que Luis Felipe Manvailer é autor de feminicídio.'

O crime

Tatiane caiu do 4º andar do edifícioonde o casal morava, no centro de Guarapuava, na volta da comemoração do aniversário de 31 anos do marido, em um bar da cidade. Câmara de segurança do condomínio registraram Manvailer agredindo a mulher no elevador, depois recolhendo o corpo dela na calçada e, por fim, limpando as marcas de sangue. Tatitane tinha 29 anos. Para o Ministério Público, Manvailer atirou a mulher da sacada. A defesa sustenta que ela se jogou. O professor foi preso ainda na madrugada de 22 de julho, depois de bater o carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu. Estava a 340 quilômetros de Guarapuava, no sentido do Paraguai.

NOTA DE ESCLARECIMENTO 

"Apesar do dia 22 de julho ser o dia da morte da advogada Tatiane Spitzner, a publicação da lei 19.873/2019 não faz nenhum tipo de menção específica a Tatiane. A data escolhida para a Lei Estadual de Combate ao Feminicídio é em alusão a todas as mulheres que hoje estão em situação de violência doméstica e que correm risco de chegar ao último grau do ciclo desta violência, que é, justamente, o feminicídio. A própria Tatiane, inclusive, foi vítima de violência, com imagens em vídeo que comprovam isso e que foram divulgadas após a sua morte.

Além disso, até então, o Estado do Paraná não possuía nenhuma data específica de combate à violência doméstica de mulheres. A deputada Cristina Silvestri, enquanto forte defensora dos direitos femininos, já vinha articulando há meses a criação de uma lei específica neste sentido, frente aos crescentes números de violência e feminicídios no Paraná. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SESP), em 2018, 57 feminicídios foram registrados no Estado. Em 2019, foram 89. E em 2020, apenas no primeiro trimestre, já tínhamos 23 registros.

Combater o ciclo da violência doméstica para resgatar a dignidade de mulheres e evitar feminicídios é urgente não só no Paraná, mas no mundo. E qualquer ação que tente invalidar o combate à violência de mulheres deve ser fortemente refutada".

 

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