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SAUDADE - 19/11/2019

por: Jairo Filho

terça-feira, 19 de novembro de 2019 - 16:18:00

É mais fácil descrever saudade do que defini-la exatamente. Saudade é “flashback”; é olhar para trás; é o desejo de voltar no tempo; é o deslumbre de lampejos do passado; é olhar a trajetória da vida pelo retrovisor e querer dar ré. Saudade é o desejo pelo que foi bom e o que fez bem; é o desejo nostálgico por quem foi bom e foi bem-querer.

Há saudade de lugares – saudades da cidade que nasceu ou morou por um tempo. Há saudade de fases da vida – saudades da infância, do tempo de estudos no colégio, dos filhos pequenos, da casa cheia nos almoços de família, do casamento feliz. Há saudade de pessoas – saudades dos finados, dos filhos que foram morar longe, dos amigos da adolescência, dos colegas de trabalho, dos queridos que viajaram. Há saudade de si mesmo – saudades da infância inocente, da juventude cheia de saúde, do trabalho produtivo e bem sucedido. Saudade de quando era mais sonhador e otimista. Saudade de quando queria mudar a si mesmo e de construir um mundo melhor. Saudade de ser quem sempre sonhou ser e nunca foi.

Os gatilhos mentais para sentir saudade são vozes, rostos, cores, cheiros, sonhos, lugares, sons, nome e sobrenome. Quase tudo desperta a saudade adormecida. Estamos quase sempre numa condição perene de sentir saudades. Já parou para pensar por que sentimos saudades?

A saudade é relacionada ao passado bom, irreversível e irrepetível; principalmente, a saudade de pessoas queridas, amadas e marcantes que se foram e jamais voltarão. Percebemos que saudade é a presente dor da ausência de futuro. Saudade é o desejo intrínseco de eternizar o tempo bom e a presença de pessoas boas. Saudade é a nostalgia da outrora melhor versão de si mesmo para repeti-la hoje e sempre.

Saudade é a confissão flagrante e incontestável de que nesse mundo mal ainda há bondade, beleza e alegria verdadeira em si e nos outros. Ninguém sente saudade do que é maléfico; isso é memória traumatizada e amargurada. Saudade é memória afetiva e grata por todo bem. Por isso, saudade é sinal de que nem tudo está perdido nesse mundo.

A saudade dói; e dói muito porque sofremos com tudo o que é bom e dura pouco. Sofremos com tudo o que é maravilhoso, contudo, é efêmero, transitório, passageiro. Sofremos com a despedida, a separação, a ausência, a distância. Sofremos tanto com isso que o mecanismo de defesa mais usado por nós é não nos apegarmos ao que é bom para não sofrer a dor da perda. Por quê?

Porque a saudade tem a ver como o fato de que fomos criados para a eternidade. Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (Eclesiastes 3:11). Quando o ser humano rompeu em rebelião pecaminosa com o Deus Santo e Eterno, houve a justa condenação de Deus: a vida teria prazo de validade com a morte; “o salário do pecado é a morte” (Rm 3:36). A dor do luto é uma prova incontestável de que não fomos feitos apenas para viver aqui e agora.

Porém, a resposta de Deus para a saudade está nele mesmo. Deus enviou seu único filho Jesus Cristo para sofrer em nosso lugar a justa condenação pelos nossos pecados. O Deus Filho Jesus sentiu a dor da separação mortal do Deus Pai, que nós justamente merecíamos, para nos reconciliar com Ele e vivermos a vida eterna Nele.

Assim, a saudade nos lembra: Fomos criados para a eternidade. A vida aqui e agora nunca será o bastante. A saudade aponta para a nossa carência e anseio por vida eterna. A eternidade foi conquistada e doada pelo amor sacrificial e substitutivo de Cristo na cruz por cada um de nós. Creia! E, assim, que a sua saudade seja transformada de murmuração traumática em memória grata e alegre; como também, que a saudade seja vista como antegosto da eternidade em Cristo que satisfará plenamente os desejos mais íntimos do coração para sempre.

Em Cristo, em quem temos consolação na saudade com a esperança da vida eterna

Jairo Filho – Pastor da Igreja Presbiteriana Bonsucesso em Guarapuava-PR, mestrando em teologia e licenciado em história.

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Palavras do Jairo Filho

Jairo Filho

Pastor da Igreja Presbiteriana Bonsucesso, mestrando em Teologia e licenciado em História.

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