A importância da denúncia na busca da justiça

15/09/2021 19H34

Dentre os sentimentos mais comuns que qualquer pessoa tem, seja de forma frequente ou em casos específicos, os que mais se destacam é o constrangimento e a vergonha. Isso faz com que, muitas vezes, a pessoa afetada se retraia e não se permita viver algumas situações que, muitas vezes, podem ser extremamente importantes e benéficas a si mesmo. Os exemplos mais comuns são aquela dificuldade em falar em público, apresentar um trabalho na escola, sair em busca de um emprego, entre outras.

Mas, também, existem aquelas situações que, muito mais do que evitar se expor por conta de uma situação simples, representam um incômodo mais íntimo, de não querer expor uma situação a que a pessoa foi, de alguma forma, exposta. No mundo do Direito, isso frequentemente acontece nos casos de relacionamentos abusivos, violência doméstica ou estelionatos.

Logico que, seja qual for o caso, por conta da motivação (ou a falta dela) ser completamente pessoal, é preciso, acima de tudo, compreender e orientar da melhor forma possível qualquer pessoa que tenha passado por esse tipo de situação. Com esse objetivo, muitas campanhas são produzidas, várias são as entrevistas e conversas com autoridades e pessoas especialistas no assunto.

Desta feita, falaremos especificamente sobre o caso “mais simples” destes citados acima: o estelionato. Mais simples, digamos, porque a violência se consuma muito mais sobre o âmbito econômico e, muito por conta disso, as pessoas geralmente pensam que, por isso, é menos importante, visto que “bens a gente recupera”. Mas, a realidade, é que esse tipo de crime também afeta bastante a saúde e, não raro, acaba até levando ao suicídio.

Atualmente, por causa da velocidade da informação e da facilidade de comunicação, muitas vezes parece até improvável que uma determinada pessoa, agindo de má-fé, ainda consiga enganar alguém e praticar esse tipo de conduta. Mas, a verdade é que, esse tipo de situação há muito tempo deixou de acontecer apenas com aquele velhinho na saída do banco. As vítimas são de todas as idades, da adolescência à velhice. O modus operandi sempre varia entre uma promessa de vantagem, um negócio imperdível ou até mesmo a perda de um bem de família por conta da ação de falsificação de documentos. E os criminosos parecem ter uma criatividade sem fim para planejar situações que parecem muito sólidas e reais, só que não. Apenas no último mês, na região, se teve notícia de criminosos presos por golpe do cartão clonado e outro caso que, absurdamente, o golpista cobrava para, supostamente, garantir uma vaga de emprego.

Mas e por quê é imperativo que se faça a denúncia, mesmo que pareça uma situação constrangedora? Porque, além de ser o caminho para a busca da Justiça, caso não houver denúncia, irão faltar elementos para que a Polícia proceda a investigação no sentido de encontrar os golpistas e, com isso, evitar que outras pessoas sejam vitimadas e, também possibilitar que, de alguma forma, os prejuízos possam ser ressarcidos ou, ao menos, minimizados. Ou seja, se não houver a denúncia, mesmo que, depois, caso o golpista seja detido, pode ser que o seu caso específico não seja resolvido e seu prejuízo não seja ressarcido.

Além desse sentimento de vergonha e do constrangimento, outro motivo que, muitas vezes, a vítima pensa que não vale a pena denunciar, acreditando (falsamente) que a Polícia não vai desprender muitos esforços para investigar casos de pequeno prejuízo, visto que existem muitos crimes mais relevantes. O que é uma grande bobagem. Apesar de realmente existir uma demanda de atendimentos enorme diante da pouca quantidade de policiais, todos as denúncias são recebidas e cada uma delas pode ajudar muito na captura dos golpistas.

A realidade é que, para evitar esse tipo específico de situação, o melhor é sempre usar de muita cautela e tomar todos os cuidados possíveis para não se tornar uma vítima. Use as informações a seu favor. Pesquise, converse com pessoas de confiança, busque orientação de um profissional, especialmente naqueles casos onde existem dúvidas sobre um determinado negócio que aparenta ser muito interessante.

Em todo caso, se ocorrer de ser enganado por algum golpista, por menor que seja seu prejuízo, procure a Delegacia ou Autoridade Policial mais próxima e nunca se cale.

Jairo Jesus

Jairo Vieira de Jesus, servidor público aposentado e, atualmente, atua com Mediação de Conflitos, Direito Civil, Tributário, Administrativo e Previdenciário.

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