Cerveja artesanal de professor da Unicentro conquista prêmio estadual

Programa de transferência de conhecimento capacita pesquisas e premia cinco iniciativas

27/07/2021 12H29

O Programa de Apoio à Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime) capacitou 17 pesquisas acadêmicas das universidades estaduais do Paraná sobre a cultura empreendedora e a transferência de conhecimento para o setor produtivo. Dos projetos capacitados, cinco foram selecionados para participar de um programa de pré-aceleração de startups, ofertado pelo Sebrae/PR.

Os resultados foram apresentados durante cerimônia virtual, realizada nessa segunda feira (26 de julho), que marcou o encerramento da 1ª edição do programa, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio de parceria entre a Superinendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,  Superintendência de Inovação, Fundação Araucária e o Sebrae/PR.

O primeiro lugar foi conquistado pelo professor Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), que desenvolveu uma cerveja artesanal, enriquecida com bioativos para diabéticos, a partir da utilização de alecrim do campo. O extrato da planta ajuda na redução dos níveis de glicemia no organismo.

“O Prime é uma excelente estratégia de conexão entre os pesquisadores das universidades, órgãos do Governo do Estado e o Sebrae”, disse Malfatti. "Esse tripé acelera o desenvolvimento dos projetos, identifica novas potencialidades e nos aproxima com o setor produtivo e empresarial. O programa contribuiu muito para a evolução da nossa iniciativa”.

Na segunda posição ficou o professor Admilton Oliveira Deméter, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com um estudo sobre um agente biológico para o controle de doenças de plantas. Na pesquisa, além da ação fungicida, o bioproduto obteve resultados favoráveis para o crescimento de plantas com mais vigor, e poderá ser aplicado contra o mofo branco e a ferrugem da soja.

Em terceiro ficou a professora Mayra Gallo, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), com o Bio-HiJAck, fungicida biológico para combater a ferrugem-asiática, doença da soja. Em quarto, o professor Afonso Gonçalves Júnior, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), quarto classificado, com a pesquisa que resultou em um filtro sustentável para descontaminação de águas e solos com base de tabaco.

Completa a lista, na quinta colocação, a estudante do mestrado em Nanociências e Biociências da Unicentro, Camila Rickli, com o Daoxi, dispositivo para o controle automatizado da oxigenoterapia (utilização de oxigénio para tratamentos médicos).

PRIME 

Desde que foi lançado, em dezembro de 2020, os pesquisadores participaram de diversas rodadas de pitch (técnica utilizada para apresentação de negócios inovadores), mentorias especializadas e consultorias individuais. O programa somou quase 100 horas de capacitação com os participantes. O investimento nesta primeira edição foi de R$ 90 mil, e a expectativa é que o valor aumente para a segunda edição. Já estão reservados R$ 400 mil para todo o programa.

O superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, destacou o caráter inovador e pioneiro do projeto. “Nosso objetivo é estimular novas habilidades e competências empreendedoras nas universidades estaduais, adotando o empreendedorismo como estratégia de negócio para apoiar novas soluções tecnológicas no Paraná. É um processo que servirá de inspiração para as próximas edições”, afirmou.

De acordo com o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o Paraná possui uma teia de ecossistemas de inovação diferenciada. “É justamente essa diversidade que faz com que consigamos alavancar recursos. Temos clareza em utilizar a alta qualificação que possuímos na chamada quádrupla hélice, formada por academia, empresas, setor público e sociedade civil, na qual o governo paranaense vem buscando ampliar ações para incentivar novas soluções e ideias que ajudem no desenvolvimento do Estado", destacou.

A estrutura do Prime, ressaltou a consultora do Sebrae/PR Vivian Escorsin, foi pensada para auxiliar os pesquisadores a construírem um modelo de negócio competitivo. “Nosso objetivo é transformar em produtos as iniciativas que nascem nas universidades. O Prime insere nas pesquisas uma visão inicial de mercado, capacitando os pesquisadores paranaenses para que possam compreender as oportunidades de negócios”, afirmou.

Ela também explicou que a primeira edição foi voltada para o público das universidades estaduais do Paraná, mas que, a partir da segunda edição, pesquisadores ligados a uma instituição de ensino, ciência, tecnologia e inovação pública ou privada poderão participar.

A presidente da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp) e reitora da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), Fátima Aparecida da Cruz Padoan, ressaltou a importância da iniciativa. “O Prime ajuda a demonstrar como nossas universidades são essenciais no desenvolvimento econômico e social do Estado. Essa aproximação das instituições públicas com as empresas privadas é de grande valia para toda a população”, acrescentou.

INSCRIÇÃO 

Para fazer a pré-inscrição no programa basta clicar aqui. Caso existam dúvidas, o candidato poderá enviar um e-mail para prime@seti.pr.gov.br.

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