“Estimular a inteligência emocional nas escolas vai fazer a diferença na vida do estudante”, afirma professor Roberto Sene

Educação é um dos setores com os maiores desafios nos próximos anos

14/01/2022 09H25

Há uma nuvem negra sobre o futuro dos próximos anos na Educação brasileira, que foi violentamente abalada pela pandemia de coronavírus. Porém, independente dos estragos causados pela Covid-19, as escolas e os profissionais da Educação estão se desdobrando na busca de alternativas que minimizem os efeitos negativos da pandemia sobre a ausência dos alunos nas salas de aula nos últimos dois anos.

Na linha desse raciocínio, o professor Roberto Sene, diretor do Fera Educacional, defende o estímulo ao desenvolvimento da inteligência emocional nos alunos. “O estrago da pandemia já está feito. Nós teremos uma nítida avaliação do grau do mal causado somente nos próximos anos. Porém, temos que nos adequar à realidade e estimular tudo o que for de melhor para o desenvolvimento intelectual e, principalmente, interpessoal dos estudantes. E é neste contexto que a inteligência emocional precisa e deve ser incentivada, pois faz com que o aluno se desenvolva intelectualmente e, o mais importante neste momento, socialmente”, enfatiza o professor.

A partir do ano de 2020, as novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular - BNCC incluem nos currículos educacionais, de todas as escolas do Brasil, as competências socioemocionais, as quais estimulam o aluno a desenvolver uma inteligência emocional, aprendendo a administrar suas próprias emoções e sentimentos. “A necessidade do aprimoramento da inteligência emocional na escola surge da ansiedade, da insegurança, das dificuldades de concentração e do estresse cada vez mais comuns entre os estudantes. E, com essas emoções intensificadas pelas incertezas trazidas pela pandemia da Covid-19, é ainda mais importante encorajar discussões a respeito das competências socioemocionais dentro do ambiente educacional, uma vez que as crianças e adolescentes possam ter espaços para compreenderem o que está acontecendo e aprenderem a processar tantas informações”, explica Roberto Sene.

O QUE É

Resumidamente, a inteligência emocional é definida pelo estudioso Daniel Goleman como “a capacidade de identificar os próprios sentimentos e de outras pessoas”, permitindo uma melhora nos níveis de estresse e ansiedade, além do aumento da capacidade de tomar suas próprias decisões com o controle de suas emoções.

No ambiente educacional, essa competência tem o objetivo de fazer com que o estudante aprenda a lidar, de maneira eficaz e ética, com os desafios e situações do dia a dia, sendo na vida escolar ou pessoal, com sua família e amigos.

Assim, a inteligência emocional pode ser dividida em 5 habilidades:

- Autoconhecimento: reconhecer e identificar as próprias emoções, avaliando a influência delas no comportamento;

- Autocontrole: saber controlar suas emoções, comportamentos e sentimentos em cada situação;

- Automotivação: conseguir orientar suas emoções para alcançar um objetivo, sem deixar que a ansiedade influencie no processo;

- Reconhecimento das emoções em outras pessoas: compreender o que o outro sente e ter empatia;

- Relacionamentos interpessoais: saber interagir com os demais, reconhecer a diversidade e ter respeito.

NA ESCOLA

“A escola é um dos primeiros locais em que a criança começa a interagir com pessoas além da sua família. É onde ela inicia seus relacionamentos interpessoais e enfrenta situações as quais ainda não estava acostumada”, acrescenta o diretor do Colégio fera.

Algumas atividades que podem ser realizadas no ambiente educacional para incentivar o desenvolvimento da inteligência emocional desde a educação infantil são:

- Estimular o diálogo: é preciso que o educador demonstre, através de conversas e dinâmicas, que não existem problemas em falar sobre sentimentos, podendo utilizar, também, histórias em que os alunos possam se identificar com o personagem;

- Desenvolver atividades lúdicas e em grupo: assim, a criança tem a oportunidade de trabalhar em equipe, conhecer as diferentes ideias de seus colegas e exercitar suas habilidades de comunicação;

- Aproximar a relação entre o educador e o educando: para que o jovem tenha confiança em compartilhar suas emoções, é fundamental que o educador ofereça abertura de diálogo e estreite os contatos;

- Aprimorar a resiliência: durante o dia, algo pode não acontecer como o esperado e, por isso, é preciso que o educando aprenda a lidar com frustrações;

- Estimular a empatia: aprender a se colocar no lugar do outro, de forma que os alunos possam compartilhar experiências em sala de aula. Uma ótima maneira de fazer com que as crianças compreendam o sentimento dos colegas é trabalhar com expressões faciais, solicitando para que elas identifiquem a emoção transmitida.

BENEFÍCIOS

“Além de despertar nas crianças e jovens a consciência de suas emoções e das pessoas a sua volta, os resultados do trabalho com a inteligência emocional na escola reflete, também, na diminuição de casos de bullying, na melhoria do comportamento em sala de aula, no controle de impulsos nervosos e na capacidade de viver em sociedade. É um diferencial que deve ser inserido na rotina escola, pois o futuro dos alunos nessa nova realidade depende muito disso”, conclui Roberto Sene.

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